Enquadramento Territorial

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As fortalezas implantadas neste território apresentam-se sob um único sistema geral, no entanto, tendo em conta a necessidade de abordar este trabalho de forma sistemática, estabeleceu-se uma série de áreas e conjuntos, tendo em atenção a sua proximidade geográfica, as etapas construtivas e os sistemas defensivos dos quais podem ter formado parte:
Na Área 1, situam-se a quase totalidade das fortalezas desde o Castelo de Santa Cruz em A Guarda, até à Praça-Forte de Salvaterra, em Salvaterra do Minho, na Área 2, situam-se as fortalezas do Crescente (Torre de Fornelos) na Galiza e Melgaço em Portugal. Para além de uma clara divisão geográfica das duas pela Serra do Suido, critérios de diversa ordem levaram à separação de ambas as zonas:

• Na Área 1, as fortalezas implantam-se na ribeira ou nas
proximidades do rio Minho; na Área 2 (a Torre de Fornelos) fá-lo num afluente do Minho, o rio Ribadil. Deste modo, à diferença das primeiras, a sua finalidade não é a defesa da via fluvial principal, senão de um afluente ou melhor de um caminho e de um território.

• Na Área 1, à excepção daquelas fortalezas que se ergueram
sobre sistemas amuralhados anteriores, a maioria das fortalezas corresponde à época moderna, entre os séculos XVII-XVIII; na Área 2 as fortalezas correspondem provavelmente à época medieval e não pertencem ao momento histórico mais relevante de formação da fronteira moderna.

Por sua vez, dentro destas áreas diferenciaram-se zonas ou conjuntos fortificados. Estes são formados por uma série de elementos, que, na sua generalidade, possuem correspondência entre ambos os lados do Minho. Defendem espaços concretos como caminhos ou atravessamentos do rio Minho, correspondendo a zonas de passagem natural, como pode ser o corredor existente entre Porriño – Tui – Valença, ou a lugares onde existiram caminhos tradicionais e históricos, como são as pontes de barcas que vemos sistematicamente reflectidas na cartografia histórica. Como se verá, estes mesmos caminhos principais continuam a manter-se na actualidade com outras traduções tecnológicas (pontes ou embarcações de ligação).

No que concerne à própria implantação estratégica das fortificações, convém ter em atenção alguns factores territoriais, que condicionam de forma inequívoca a sua interpretação. É o caso de estratégias de domínio territorial que determinam, por exemplo que a fortificação abaluartada esteja pensada para que fique oculta no terreno e só se perceba através da “vista de pássaro” ou desde uma posição elevada. Por outro lado existe uma tradição, já reflectida nos desenhos de Duarte d’Armas, de colocar nos fortes grandes bandeiras, de modo a torná-los perceptíveis, suprindo assim problemas de reconhecimento e iniciando uma tradição de marcar as fronteiras, especialmente os caminhos, com bandeiras. Assim, ao analisar o enquadramento territorial das fortificações não se podem esquecer os fenómenos de inter-visibilidade.