Preâmbulo

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A região transfronteiriça do Vale do Minho Português e do Baixo Miño Galego, corresponde a um território caracterizado pela presença de um património rico e diversificado. Este facto coloca às autoridades responsáveis pela sua salvaguarda e conservação algumas dificuldades, no sentido de que os recursos humanos e materiais escasseiam, situação tanto mais grave quanto maior a diversidade e riqueza desse património.

Ao mesmo tempo o referido património, começa a impor-se como um valioso recurso de desenvolvimento regional, quando integrado em planos de promoção de turismo cultural. Pelo que a questão da divulgação e revalorização patrimonial é um objectivo prioritário para as autoridades político-administrativas de ambas as margens do Minho.

Mas a problemática da intervenção patrimonial coloca ainda um outro desafio: todas as acções a levar a cabo que impliquem uma actuação sobre um determinado monumento ou conjunto, devem obedecer a estratégias de gestão e de preservação que garantam que a valorização do seu potencial turístico ou cultural não colida com a importância desse mesmo monumento enquanto documento histórico-arqueológico.

Esta iniciativa conjunta de publicar um Plano Director Conjunto das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho/Baixo Miño, representa o empenho das autoridades portuguesas e galegas em toda esta problemática.

No seio de uma Europa em que as fronteiras se diluem, o rio Minho perdeu o seu papel enquanto linha de separação entre dois territórios para converter-se, num elemento de união, favorecendo a aproximação das gentes de ambas as margens. Também as fortificações implantadas nas suas margens, que, durante séculos, foram símbolo de identidade territorial, podem contribuir para marcar o novo carácter transfronteiriço deste território.

Estamos perante uma estratégia de gestão e de salvaguarda do património, inovadora pelo seu carácter integrado. Tendo em conta a própria natureza do património militar da região não faria sentido qualquer estratégia parcelar, uma vez que analisando as fortalezas de forma isolada não conseguimos compreender a sua importância de conjunto. Pela natureza eminentemente estratégica destes monumentos, o seu verdadeiro significado só pode ser entendido se olharmos para as relações de entreajuda e oposição que se estabelecem entre estes.

Pretende-se com a publicação do Plano Director Conjunto das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho/ Baixo Miño, ressaltar o carácter único e verdadeiramente transfronteiriço deste conjunto, também no que se refere às estratégias de revalorização patrimonial. Se o valor histórico destes monumentos reside no conjunto, esse deve ser também um eixo central nas estratégias de intervenção a desenvolver.

Surge assim este Plano Director Conjunto, que acreditamos ser um documento com um excepcional valor enquanto recurso de divulgação patrimonial, mas também como exemplo de uma estratégia de revalorização inovadora, pelo seu carácter transfronteiriço e de cooperação institucional, num eixo de desenvolvimento estratégico para o território transfronteiriço do Vale do Minho Português e do Baixo Miño Galego.

Valença e Santiago de Compostela, Julho de 2008

Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho
Dirección Xeral de Patrimonio Cultural da Consellaría de Cultura e Deporte da Xunta de Galicia